Peça prático-profissional
5,00 pontosJoão, 22 anos, no dia 04 de maio de 2018, caminhava com o adolescente Marcelo, cada um deles trazendo consigo uma mochila nas costas. Realizada uma abordagem por policiais, foi constatado que, no interior da mochila de cada um, havia uma certa quantidade de drogas, razão pela qual elas foram, de imediato, encaminhadas para a Delegacia. Realizado laudo de exame de material entorpecente, constatou-se que João trazia 25 g de cocaína, acondicionados em 35 pinos plásticos, enquanto, na mochila do adolescente, foram encontrados 30 g de cocaína, quantidade essa distribuída em 50 pinos. Após a oitiva das testemunhas em sede policial, da juntada do laudo e da oitiva do adolescente e de João, que permaneceram em silêncio com relação aos fatos, foram lavrados o auto de prisão em flagrante em desfavor do imputável e o auto de apreensão em desfavor do adolescente. Toda a documentação foi encaminhada aos Promotores de Justiça com atribuição. O Promotor de Justiça, junto à 1ª Vara Criminal de Maceió/AL, órgão competente, ofereceu denúncia em face de João, imputando-lhe a prática dos crimes previstos nos artigos 33 e 35, ambos com a causa de aumento do Art. 40, inciso VI, todos da Lei nº 11.343/06. Foi concedida a liberdade provisória ao denunciado, aplicando-se as medidas cautelares alternativas. Após a notificação, a apresentação de resposta prévia e o recebimento da denúncia e da citação, foi designada a audiência de instrução e julgamento, ocasião em que foram ouvidas as testemunhas de acusação. Estas confirmaram a apreensão de drogas em poder de Marcelo e João, bem como que eles estariam juntos, esclarecendo que não se conheciam anteriormente e nem tinham informações pretéritas sobre o adolescente e o denunciado. O adolescente, ouvido, disse que conhecera João no dia anterior ao de sua apreensão e que nunca o tinha visto antes vendendo drogas. Em seguida à oitiva das testemunhas de acusação e defesa, foi realizado o interrogatório do acusado, sendo que nenhuma das partes questionou o momento em que este foi realizado. Na ocasião, João confirmou que o material que ele e Marcelo traziam seria destinado à ilícita comercialização. Ele ainda esclareceu que conhecera o adolescente no dia anterior, que era a primeira vez que venderia drogas e que tinha a intenção de praticar o ato junto com o adolescente somente aquela vez, com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar uma moto. Foi acostado o laudo de exame definitivo de material entorpecente confirmando o laudo preliminar e a Folha de Antecedentes Criminais de João, onde constava uma anotação referente a crime de furto, ainda pendente de julgamento. O juiz, após a devida manifestação das partes, proferiu sentença julgando parcialmente procedente a pretensão punitiva estatal. Em um primeiro momento, absolveu o acusado do crime de associação para o tráfico por insuficiência probatória. Em seguida, condenou o réu pela prática do crime de tráfico de drogas, ressaltando que o réu confirmou a destinação das drogas à ilícita comercialização. No momento de aplicar a pena, fixou a pena-base no mínimo legal, reconhecendo a existência da atenuante da confissão espontânea; aumentou a pena em razão da causa de aumento do Art. 40, inciso VI, da Lei nº 11.343/06 e aplicou a causa de diminuição de pena do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, restando a pena final em 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime inicial aberto. Entendeu o magistrado pela substituição da pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos. O Ministério Público, ao ser intimado pessoalmente em 22 de outubro de 2018, apresentou o recurso cabível, em 25 de outubro de 2018, acompanhado das respectivas razões recursais, requerendo: a) nulidade da instrução, porque o interrogatório não foi o primeiro ato, como prevê a Lei nº 11.343/06; b) condenação do réu pelo crime de associação para o tráfico, já que ele estaria agindo em comunhão de ações e desígnios com o adolescente no momento da prisão, e o Art. 35 da Lei nº 11.343/06 fala em “reiteradamente ou não”; c) aumento da pena-base em relação ao crime de tráfico diante das consequências graves que vem causando para a saúde pública e a sociedade brasileira; d) afastamento da atenuante da confissão, já que ela teria sido parcial; e) afastamento da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, independentemente da condenação pelo crime do Art. 35 da Lei nº 11.343/06, considerando que o réu seria portador de maus antecedentes, já que responde a ação penal em que se imputa a prática do crime de furto; f) aplicação do regime inicial fechado, diante da natureza hedionda do delito de tráfico; g) afastamento da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diante da vedação legal do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06. Já o acusado e a defesa técnica, intimados do teor da sentença, mantiveram-se inertes, não demonstrando interesse em questioná-la. O magistrado, então, recebeu o recurso do Ministério Público e intimou, no dia 05 de novembro de 2018 (segunda- feira), sendo terça-feira dia útil em todo o país, você, advogado(a) de João, a apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluídas as possibilidades de habeas corpus e embargos de declaração, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.
Distribuição de pontos
| Item | Pontuação |
|---|---|
| Petição de Juntada | |
| 1) Endereçamento: 1ª Vara Criminal da Comarca de Maceió/AL (0,10). | 0,00/0,10 |
| 2) Fundamento legal: Art. 600 do CPP (0,10). Razões do Apelado ou Contrarrazões de Apelação | 0,00/0,10 |
| 3) Endereçamento: Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (0,10). | 0,00/0,10 |
| 4) Afastamento da nulidade requerida (0,20), considerando que não foi arguida emmomento adequado (0,15). | 0,00/0,15/0,20/0,35 |
| 5) O interrogatório, como instrumento de defesa, poderá ser realizado como último ato dainstrução OU o procedimento da Lei nº 11.343/06 deve se adequar àquele previsto no CPP(0,25). | 0,00/0,25 |
| 6) Manutenção da absolvição em relação crime de associação para o tráfico (0,20), tendoem vista que não restou provada situação de permanência/estabilidade entre o adolescentee o acusado (0,40). | 0,00/0,20/0,40/0,60 |
| 7) Manutenção da pena base no mínimo legal (0,20), uma vez que o argumento utilizadopelo Ministério Público considera a gravidade em abstrato do delito OU tendo em vista quehaveria bis in idem no aumento da pena em razão de violação ao bem jurídico protegidopela norma (0,40). | 0,00/0,20/0,40/0,60 |
| 8) Manutenção do reconhecimento da atenuante da confissão espontânea (0,20),considerando que foi a confissão utilizada como argumento/para formação da convicção dojuiz (0,35), nos termos da Súmula 545 do STJ (0,10). | 0,00/0,20/0,30/0,35/0,45/0,55/0,65 |
| 9) Manutenção do reconhecimento da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343(0,15), eis que o fato de o réu responder à ação penal por crime de furto não justifica oreconhecimento de maus antecedentes (0,35), nos termos da Súmula 444 do STJ, poranalogia OU conforme o Art. 5º, LVII, da CRFB/88 (princípio da não culpabilidade ou dapresunção de inocência) (0,10). | 0,00/0,15/0,25/0,35/0,45/0,50/0,60 |
| 10) Afastamento do pedido de aplicação do regime inicial fechado (0,20), pois o crime detráfico privilegiado não é considerando hediondo pelo STF OU porque é inconstitucional aprevisão do Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 de aplicação obrigatória do regime inicialfechado aos crimes hediondos (0,40). | 0,00/0,20/0,40/0,60 |
| 11) Manutenção da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos(0,20), já que a vedação em abstrato viola o princípio da individualização da pena OUporque o STF declarou a inconstitucionalidade da vedação trazida pelo Art. 33, § 4º, da Leinº 11.343/06 OU porque a Resolução 05 do Senado suspendeu a eficácia da expressão quevedava a substituição (0,40). | 0,00/0,20/0,40/0,60 |
| Pedido | |
| 12) Não provimento do recurso OU manutenção da sentença (0,25). | 0,00/0,25 |
| 13) Prazo: 13 de novembro de 2018 (0,10). | 0,00/0,10 |
| Fechamento | |
| 14) Local, data, advogado e OAB (0,10). | 0,00/0,10 |